Um canteiro de plantas medicinais é um dos recantos mais bonitos de um jardim: florações escalonadas, aromas e polinizadores presentes em permanência. Além disso, a maioria destas espécies é rústica, pouco exigente em água e pouco exigente em geral — cresciam nos jardins dos párocos muito antes de se falar de permacultura.
Este guia aborda o seu cultivo: o que semear, quando e como colher e secar. Não aborda as suas utilizações terapêuticas, e há uma razão que importa deixar clara desde o início.
Leia antes de tudo
O termo «planta medicinal» designa uma tradição de utilização, não uma ausência de perigos. Várias espécies desta família são tóxicas, e algumas são-no gravemente.
- Estas plantas não substituem qualquer tratamento. Em caso de sintomas, consulte um médico ou farmacêutico.
- Algumas interagem com medicamentos ou são contraindicadas em caso de gravidez, amamentação, em crianças ou na presença de patologias crónicas. Peça sempre a opinião de um profissional antes de qualquer utilização interna.
- Algumas espécies da nossa coleção são ornamentais ou tóxicas e não devem, em caso algum, ser consumidas: absinto, arruda, tanaceto e papoila-dormideira. São cultivadas pelo seu interesse botânico, melífero ou decorativo.
- Nunca utilize uma planta que não tenha identificado com certeza. Várias Apiáceas medicinais têm sósias mortais.
O que se segue diz, portanto, respeito à jardinagem e à transmissão de um património vegetal — não é aconselhamento de saúde.
As fáceis, para começar
Rústicas, pouco exigentes e fáceis de identificar sem ambiguidades. É por elas que se deve começar.
- Camomila-alemã (Matricaria chamomilla) — anual, sementeira direta na primavera ou no outono, apenas ligeiramente coberta: precisa de luz para germinar. Depois, volta a semear-se sozinha.
- Erva-cidreira (Melissa officinalis) — vivaz muito fácil de cultivar, com um aroma de limão bem marcado. Germinação lenta e caprichosa: semeie numa sementeira e tenha paciência. Depois de instalada, torna-se invasiva — reserve-lhe um espaço delimitado.
- Calêndula (Calendula officinalis) — anual, sementeira direta de março a maio, floração muito prolongada. Ressemeia-se sozinha.
- Tomilho e sálvia — vivazes mediterrânicas. Solo drenado e pobre, sol pleno, nenhuma rega depois de instaladas. Sementeira na primavera, crescimento lento no primeiro ano.
- Milefólio (Achillea millefolium) — vivaz extremamente rústica, as suas inflorescências achatadas são um dos melhores recursos para as moscas-das-flores.
- Malva-silvestre e malvaísco — vivazes, floração estival prolongada, muito decorativas no fundo dos canteiros.
As plantas vivazes para instalar uma vez
Crescimento mais lento, mas estabelecem-se durante anos.
- Equinácea-púrpura (Echinacea purpurea) — espetacular, muito visitada pelos polinizadores. Necessita de estratificação a frio durante 4 a 8 semanas para germinar corretamente: consulte Estratificação a frio.
- Valeriana (Valeriana officinalis) — alta, aprecia solos húmidos. Sementeira à superfície, necessita de luz para germinar.
- Angélica (Angelica archangelica) — bienal imponente, até dois metros. As suas sementes perdem muito rapidamente a capacidade germinativa: semeie-as frescas, de preferência no outono.
- Marroio-branco (Marrubium vulgare) — vivaz de terrenos secos e pobres, com folhagem prateada e aveludada.
- Dente-de-leão (Taraxacum officinale) — sim, semeia-se voluntariamente: folhas para salada, raiz e uma das primeiras fontes de néctar na primavera. Além disso, é o nosso emblema.
- Urtiga (Urtica dioica) — deve ser confinada a um canto próprio. Planta hospedeira de muitas borboletas, base para o chorume e excelente ativador de composto.
As exóticas e as curiosidades
- Manjericão-sagrado Tulsi (Ocimum tenuiflorum) — cultivado como anual no nosso clima, vivaz numa marquise. Aroma muito particular, entre o cravinho e a pimenta.
- Estévia (Stevia rebaudiana) — folhas com um intenso poder adoçante. Sensível ao frio: cultivar em vaso e recolher no inverno. Germinação delicada; semear à superfície, num local quente.
- Ginseng indiano (Withania somnifera) — arbusto tropical, cultivado em vaso nas nossas latitudes.
- Loureiro (Laurus nobilis) — arbusto condimentar. Germinação muito lenta, durante vários meses. Não confundir com o loendro, que é tóxico.
Calendário de sementeira
| Período | Espécies | Método |
|---|---|---|
| Fevereiro – março | Equinácea (após estratificação), tomilho, salva, estévia | Em abrigo, num local quente |
| Março – maio | Camomila, calêndula, milefólio, marroio, malva | Sementeira direta |
| Abril – junho | Erva-cidreira, valeriana, alteia, manjericão-sagrado | Em tabuleiro, seguida de transplantação |
| Agosto – setembro | Camomila, calêndula, milefólio | Sementeira direta, floração precoce no ano seguinte |
| Outubro – novembro | Angélica (sementes frescas), vivazes que necessitam de estratificação | Sementeira no exterior, o frio quebra a dormência |
Um ponto que explica muitos fracassos: muitas plantas medicinais têm sementes muito finas que precisam de luz para germinar — camomila, valeriana, estévia, malva. Não as enterre: pressione-as simplesmente contra o substrato húmido.
Colher e secar
Quando colher
O momento depende do órgão, pois a concentração de princípios ativos varia ao longo do ciclo.
- Folhas — antes da floração, quando a planta concentra nelas os seus recursos.
- Flores — no início da floração, acabadas de abrir.
- Partes aéreas inteiras — em plena floração.
- Raízes — no outono do segundo ano, quando a planta fez regressar as suas reservas para a parte inferior.
- Sementes — na plena maturidade, antes da dispersão.
Em todos os casos: de manhã, depois de o orvalho evaporar, com tempo seco. É o momento em que os óleos essenciais estão mais concentrados.
Secar corretamente
- À sombra total — a luz degrada os princípios ativos e altera as cores.
- Num espaço ventilado, entre 20 e 35 °C. Um sótão arejado é ideal.
- Em pequenos ramos pendurados de cabeça para baixo, ou estendidas sobre grelhas, no caso das flores frágeis.
- Sem amontoar — o ar deve circular entre os caules, caso contrário ganha bolor no interior.
- O teste: uma planta seca parte-se de imediato em vez de dobrar. Conte com alguns dias a duas semanas.
Conservar
Em frascos de vidro herméticos, ao abrigo da luz, com etiqueta e data. As folhas e as flores conservam as suas propriedades durante cerca de um ano; as raízes, durante dois a três anos. Um sinal fiável: se o aroma desapareceu, a planta já pouco vale.
O seu lugar no jardim
Um canteiro de plantas medicinais não é apenas um espaço utilitário: é um dos melhores reservatórios de organismos auxiliares da horta.
- Agrupe por necessidade de água — as mediterrânicas (tomilho, salva, marroio) de um lado, em solo drenado e pobre; as que apreciam frescura (erva-cidreira, valeriana, angélica) do outro. Misturá-las é o erro mais dispendioso.
- Não fertilize. Os óleos essenciais concentram-se numa planta ligeiramente condicionada. O excesso de azoto produz folhagem abundante e sem sabor.
- Contenha as invasoras — erva-cidreira, urtiga, hortelã: num vaso enterrado ou com uma barreira.
- Deixe florescer — mesmo que colha as folhas antes da floração, deixe algumas plantas florescerem para os polinizadores. Consulte Associar flores à horta.
- Coloque-as na zona 1 ou 2 — perto de casa, por onde passa. Uma planta medicinal no fundo do terreno nunca será colhida.
Perguntas frequentes
É possível cultivar plantas medicinais em vaso?
Sim, especialmente as mediterrânicas — tomilho, salva e marrúbio — que apreciam substratos drenantes e pobres. A estévia e o ginseng-indiano são mesmo indispensáveis no nosso clima. Consulte Horta na varanda.
Porque é que as minhas sementes de erva-cidreira não germinam?
Há três causas possíveis: foram enterradas demasiado fundo (precisam de luz), o substrato está demasiado frio ou são simplesmente lentas — a erva-cidreira pode demorar três a quatro semanas. Não deite fora a sementeira demasiado cedo.
É preciso ter um jardim de monge para fazer tudo bem?
Não, a disposição é livre. O que importa é agrupá-las de acordo com as necessidades de água e garantir a acessibilidade. Muitas plantas medicinais integram-se muito bem na bordadura da horta ou num canteiro ornamental.
É possível colher as suas sementes?
Sim, e é simples para a maioria: camomila, calêndula, milefólio, malva e erva-cidreira produzem muitas sementes. Atenção à angélica, cujas sementes se conservam mal. Consulte Como conservar as suas sementes.
Estas plantas atraem pragas?
É antes o contrário. Os seus óleos essenciais confundem a deteção olfativa de muitos insetos, e as suas flores alimentam os insetos auxiliares. É uma das razões pelas quais eram tradicionalmente plantadas nas bordaduras da horta.
A reter
Comece pela camomila, calêndula, erva-cidreira e tomilho: quatro espécies inequívocas, fáceis de cultivar e de secar. Agrupe-as de acordo com as necessidades de água, não fertilize, colha de manhã e seque à sombra. E, para qualquer utilização interna, peça aconselhamento profissional — cultivar e tratar são duas profissões diferentes.
Para saber mais
- Sementes de flores comestíveis: sementeira, colheita e utilização
- Plantas vivazes comestíveis
- Estratificação a frio: porquê e como fazer germinar as sementes?
- O calendário das sementeiras mês a mês
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