Fiches de culture

Quais sementes para um solo pobre e seco? Os nossos conselhos para cultivar mesmo assim

Sol pauvre et sec en cours de remise en culture : terre claire caillouteuse à nu devant, couverte de déchets du jardin derrière, avec de jeunes légumineuses plantées dedans.

«Solo pobre e seco»: utilizamos a expressão como um todo, quando, na realidade, abrange duas limitações distintas que não se corrigem com as mesmas plantas nem com as mesmas práticas.

Um solo pode ser pobre e manter-se húmido — é o caso de muitos solos arenosos de fundo de vale. Pode ser seco e, além disso, rico — um solo argiloso num clima mediterrânico. Comece por identificar qual das duas situações se aplica ao seu caso: a resposta não é a mesma.

Fazer o diagnóstico

Solo pobre: pouca matéria orgânica

Os sinais: cor clara, estrutura pulverulenta ou, pelo contrário, compacta e sem torrões, poucas ou nenhumas minhocas, vegetação espontânea rasteira e esparsa. As culturas começam por se desenvolver e depois estagnam, com folhagem pálida.

Um teste simples: retire um bloco de terra com 20 cm de lado e conte as minhocas. Menos de três indica um solo biologicamente empobrecido. Consulte Os princípios básicos do solo vivo.

Solo seco: baixa reserva de água

Os sinais: a terra seca em poucas horas depois de uma chuva, a água da rega desaparece imediatamente e as plantas murcham após apenas dois dias sem água. Está frequentemente associado a uma textura arenosa ou a um solo pedregoso e pouco profundo.

O teste do frasco permite determinar a textura: terra peneirada, água, uma gota de detergente da loiça, agita-se e deixa-se repousar durante 24 h. A areia deposita-se primeiro e a argila por último. Consulte Os diferentes tipos de solo.

O caso mais frequente é a combinação: solo arenoso, portanto simultaneamente filtrante e pobre, uma vez que os nutrientes se perdem com a água. É o caso que exige mais método — mas pode ser corrigido, e mais depressa do que um solo argiloso compactado.

As espécies que se adaptam a um solo pobre

Têm um ponto em comum: não precisam de um solo rico para produzir e algumas melhoram-no à medida que crescem.

  • As leguminosas — feijão, grão-de-bico, fava, lentilha, feno-grego. Fixam o seu próprio azoto graças às bactérias dos seus nódulos: um solo pobre não as incomoda e deixam-no melhor do que o encontraram.
  • As aromáticas mediterrânicastomilho, sálvia, lavanda, orégão, segurelha, marroio-branco. Preferem um solo pobre e bem drenado: o excesso de nutrientes fá-las apodrecer e dilui o seu aroma.
  • As raízes profundas — cherívia, salsifis, escorcioneira, cenoura. Vão buscar mais abaixo aquilo que falta à superfície.
  • As variedades rústicas da horta — acelga, amarantha, tetragónia cornuda, couve-galega, rabanete, rúcula.
  • As flores pouco exigentescapuchinha (que exige um solo pobre para florescer), calêndula, papoila, centáurea, papoila-da-Califórnia.

A evitar enquanto o solo não recuperar: couves-repolho, aipo, alho-francês, curgete, abóbora, milho. São as mais exigentes e irão desiludir.

As espécies que resistem à seca

Atenção para não confundir: algumas plantas de solo pobre exigem muita água, e vice-versa.

  • As cucurbitáceas rasteiras — abóboras, abóboras-menina, melancias. Têm um enraizamento poderoso e a sua folhagem cobre o solo, protegendo-o da evaporação. Precisam de água durante a instalação, mas muito menos depois.
  • As leguminosas de grão seco — grão-de-bico, lentilha, feijão seco. Ciclo ajustado às chuvas da primavera, colheita em seco.
  • Os tomates cultivados em sequeiro — com uma cobertura espessa e rega apenas no momento da plantação, produzem menos, mas concentram nitidamente os sabores. As variedades antigas adaptam-se melhor do que os híbridos.
  • As aromáticas mediterrânicas — depois de instaladas, já não precisam de rega.
  • A amarantha, a acelga e a tetragónia — folhagem resistente, substituem vantajosamente as alfaces no verão.
  • As flores de terreno seco papoila-da-Califórnia, milefólio, equinácea, luzerna.

Não perdoam a seca: alfaces, aipo, pepino, rabanete de verão, espinafre. São culturas de primavera e outono — forçá-las em julho custa muita água para um resultado medíocre.

Ver também Plantas resistentes à seca.

Reconstruir a fertilidade, sem comprar

É um trabalho de três a cinco anos, mas é cumulativo e não se perde. Quatro estratégias, por ordem de eficácia.

1. Cobrir permanentemente

É a opção mais rentável e é gratuita. Um solo nu perde o azoto a cada chuva, coze ao sol e compacta-se com o impacto das gotas. Mulch orgânico ou cobertura vegetal, durante todo o ano, sem exceção — folhas mortas, aparas de relva secas, palha, cartão como camada inferior.

2. Semear adubos verdes

Num solo pobre, é o investimento que dá retorno mais depressa. Facélia para cobrir rapidamente, trevo-vermelho e luzerna para o azoto e a descompactação profunda — a luzerna desce a mais de um metro e traz à superfície minerais inacessíveis às culturas.

Numa parcela verdadeiramente exaurida, pondere retirá-la da produção durante um ou dois anos e semeá-la inteiramente com luzerna. Consulte Semear adubos verdes.

3. Adicionar matéria orgânica à superfície

Composto maturado, folhas, BRF — sempre à superfície, nunca enterrados. Em solo arenoso, prefira aplicações regulares e moderadas a uma grande aplicação anual, que seria mineralizada e lixiviada demasiado depressa.

4. Não compactar, não revolver

Canteiros com um máximo de 1,20 m, caminhos próprios, forquilha de jardim em vez de pá. Um solo pobre já é frágil: cada passagem agrava a situação.

Um corretivo que funciona realmente em solo arenoso: a argila (bentonite). Ao contrário da areia adicionada à argila, que é contraproducente, a argila adicionada à areia melhora duradouramente a retenção de água e nutrientes. É dispendioso, mas é um investimento definitivo.

Um plano para três anos

Ano O que se faz O que se cultiva
Ano 1 Cobrir tudo, semear adubos verdes em metade da área e cobrir a outra metade com palha Leguminosas, aromáticas, capuchinhas, rabanetes, acelgas — nada de muito exigente
Ano 2 Cortar os adubos verdes à superfície, adicionar composto, manter a cobertura Adicionar abóboras, tomates de sequeiro, raízes profundas
Ano 3 Rotação clássica, cobertura sempre permanente Quase tudo se torna possível, exceto as culturas mais exigentes nas zonas mais pobres

Não tente tratar tudo de uma vez. Concentre os recursos numa pequena área: duas parcelas bem recuperadas produzem mais do que dez parcelas medíocres, e verá os resultados mais depressa, o que ajuda a manter o esforço.

Os erros clássicos

  1. Adicionar areia para «aligeirar». Num solo argiloso, areia + argila + água dão origem a um material semelhante ao betão. É o conselho mais difundido e mais prejudicial.
  2. Depender dos fertilizantes. Alimentam a planta sem construir nada. Num solo pobre, o que falta é estrutura e vida do solo, não minerais — e o fertilizante solúvel será lixiviado num mês.
  3. Regar pouco e frequentemente. Isso mantém as raízes à superfície, onde o solo seca primeiro. Regue com pouca frequência e em profundidade.
  4. Aplicar cobertura morta num solo seco. A cobertura morta conserva a humidade presente, mas não a cria — e bloqueia as chuvas ligeiras. Regue primeiro e aplique a cobertura depois.
  5. Querer cultivar aquilo que não pode ser cultivado. Um aipo num solo arenoso e seco continuará a ser um fracasso, por muitos que sejam os seus esforços. Escolha primeiro, corrija depois.

Perguntas frequentes

É necessário aplicar estrume?

Apenas se estiver bem compostado, durante pelo menos seis meses. Fresco, é demasiado concentrado e «queima» as culturas. Em solo arenoso, mineraliza-se muito rapidamente: é preferível fazer vários aportes pequenos do que um único aporte abundante.

Quanto tempo demora até se notar uma diferença?

Os primeiros sinais — mais minhocas, estrutura granulosa, solo que permanece húmido durante mais tempo — surgem logo no segundo ano de cobertura permanente. O teor de matéria orgânica, por sua vez, aumenta lentamente, mas não volta a diminuir.

Uma elevação é uma boa ideia?

Não uma elevação, que o tornaria ainda mais seco. Em contrapartida, a versão enterrada — madeira decomposta numa vala, coberta — corrige precisamente esse problema, criando uma reserva de água em profundidade. Consulte A cultura em elevação.

É possível fazer uma horta num terreno pedregoso?

Sim, e não tente retirar as pedras: limitam a evaporação, atenuam as variações de temperatura e facilitam a drenagem. Retire apenas as maiores dos canteiros destinados às raízes.

E se o meu solo for pobre por ser calcário?

O calcário impede a assimilação do ferro, do manganês e do zinco — daí as folhas amarelas com nervuras verdes. Os aportes orgânicos melhoram a situação, mas o mais eficaz continua a ser escolher espécies adaptadas: couves, leguminosas, cebolas e plantas aromáticas mediterrânicas dão-se muito bem nestas condições.

A reter

Comece por distinguir as duas limitações: um solo pobre corrige-se com matéria orgânica e leguminosas; um solo seco corrige-se com cobertura e pela escolha das variedades. Em ambos os casos, o método é o mesmo — nunca deixar o solo descoberto — e o resultado constrói-se ao longo de três anos. Comece pequeno, em dois canteiros.

Para saber mais

Para começar em terreno difícil: os nossos adubos verdes, as nossas plantas aromáticas mediterrânicas e as nossas variedades antigas, mais rústicas do que as seleções modernas.

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