Sol et fertilité

A compostagem: alimentar o solo imitando a natureza

Le compostage : nourrir le sol en imitant la nature

Um composto que cheira mal, que não aquece ou que demora dois anos a formar-se: em quase todos os casos, a causa é a mesma e resume-se a três parâmetros — a relação carbono/azoto, a humidade e o oxigénio. Compreender como estes três elementos interagem é suficiente para diagnosticar qualquer problema e corrigi-lo com uma única intervenção.

Este guia parte deste funcionamento e depois passa à prática: o que colocar, em que proporção, como saber se está a funcionar e como utilizar o resultado.

O que acontece realmente numa pilha

A compostagem não é uma decomposição passiva: é uma sucessão de populações microbianas que se sucedem, cada uma consumindo aquilo que a anterior tornou acessível. Três fases sucedem-se.

Fase 1 — o aumento da temperatura (alguns dias a algumas semanas)

As bactérias mesófilas atacam primeiro os açúcares e as proteínas, as moléculas mais fáceis. A sua atividade liberta calor; a pilha aquece e, acima dos 40 °C, elas cedem o lugar às bactérias termófilas, que assumem o controlo até aos 55-65 °C.

Este calor não é um pormenor estético. Mantido acima dos 55 °C durante vários dias, destrói a maioria das sementes de infestantes e uma grande parte dos agentes patogénicos vegetais. É toda a diferença entre um composto quente e um composto frio.

Para aquecer, uma pilha tem de atingir um volume crítico de cerca de 1 m³. Abaixo desse volume, o calor dissipa-se mais depressa do que é produzido: o composto forma-se na mesma, mas lentamente e sem efeito desinfetante. Esta é a principal limitação dos pequenos compostores de varanda.

Fase 2 — a decomposição ativa (vários meses)

A temperatura volta a baixar e os termófilos esgotam-se por falta de matéria facilmente degradável. Os fungos e actinomicetos assumem o controlo: só eles conseguem decompor a celulose e a lenhina, as moléculas resistentes da madeira e dos caules. Chegam os invertebrados — minhocas, bichos-de-conta, colêmbolos — e fragmentam o material mecanicamente.

É a fase mais longa e aquela em que revolver a pilha relança utilmente a atividade.

Fase 3 — a maturação (2 a 4 meses)

Os processos de humificação chegam ao fim: as moléculas residuais recombinam-se em componentes húmicos estáveis, que resistirão durante anos no solo. O composto adquire uma textura granulosa, uma cor castanha-escura uniforme e um aroma evidente a floresta.

Um composto utilizado antes do fim desta fase continua biologicamente ativo — com as consequências descritas mais abaixo.

A relação C/N: o único valor que precisa de conhecer

Os microrganismos precisam de carbono como fonte de energia e de azoto para construir as suas proteínas. Consomem aproximadamente 25 a 30 partes de carbono para 1 parte de azoto. É a famosa relação C/N e é o parâmetro que explica 80 % dos compostos que falham.

Material C/N aproximado Categoria
Relva recém-cortada 15–20 Verde
Cascas de cozinha 15–20 Verde
Borra de café 20 Verde
Estrume de aves de capoeira 7–10 Verde muito rico
Folhas secas 40–80 Castanho
Palha 80–100 Castanho
Cartão castanho 300–400 Castanho muito pobre
Serradura e madeira triturada 400–500 Castanho muito pobre

Na prática, não se calcula: procura-se cerca de dois terços de volume de matéria castanha para um terço de matéria verde, tendo em conta que as matérias castanhas são muito mais volumosas para a mesma massa. Uma pilha que receba apenas cascas de cozinha terá sempre demasiado azoto — daí a importância de manter um saco de folhas secas junto ao compostor e adicionar uma mão-cheia a cada adição.

Diagnóstico rápido

Sintoma Causa Correção
Cheiro a amoníaco Demasiado azoto Adicionar materiais castanhos, revolver
Cheiro a ovo podre, a lodo Falta de oxigénio (anaeróbio) Revolver obrigatoriamente, adicionar materiais grosseiros
Não acontece nada, pilha fria e seca Demasiado carbono ou demasiado seco Adicionar materiais verdes e regar
Nuvem de mosquitos Resíduos frescos expostos à superfície Cobrir cada adição com uma camada de matéria castanha
Formigueiro instalado Pilha demasiado seca Regar abundantemente

Humidade e oxigénio: as outras duas alavancas

A referência clássica — húmido como uma esponja espremida — corresponde a cerca de 50-60 % de humidade. O teste: uma mão-cheia apertada deve deixar sair uma ou duas gotas, sem escorrer.

Estes dois parâmetros estão relacionados: acima de 65 % de humidade, a água expulsa o ar dos interstícios e a pilha entra em fermentação anaeróbia — odores, acidificação, interrupção do processo. É por isso que a estrutura é tão importante como a dosagem: ramos finos, caules ocos ou material triturado criam espaços vazios que mantêm a circulação de ar, mesmo quando a pilha está húmida.

A revolução — a cada 4 a 6 semanas é suficiente para um composto de jardim. Volta a oxigená-lo, homogeneíza-o e traz para o centro as matérias periféricas que nunca aqueceram. Um composto que nunca é revolvido formar-se-á na mesma, mas demorará o dobro do tempo e de forma muito heterogénea.

Qual o método de acordo com a sua situação

Método Para quem O que é preciso saber
Pilha livre Jardim grande O único que atinge facilmente o metro cúbico e, por isso, permite o aumento da temperatura. Gratuito.
Compostor fechado Horta urbana, vizinhança próxima Discreto, protege da chuva. Aquece pouco: composto frio, sementes de infestantes não destruídas.
Compostagem à superfície Permacultura, solo vivo Espalham-se diretamente os resíduos sob a cobertura do solo. Não requer manuseamento, mas também não há aumento da temperatura.
Integrado nos camalhões Jardins em cultura em camalhão A matéria decompõe-se in situ, no centro do canteiro.
Vermicompostagem Apartamento, varanda Produz um composto muito rico e um vermicomposto líquido. Exige acompanhamento regular e não tolera nem grandes quantidades de citrinos nem sobrecargas.
Bokashi Cozinha, volumes muito pequenos Isto não é compostagem: é uma fermentação láctica num ambiente fechado. O produto obtido ainda tem de ser enterrado ou compostado antes de ser utilizado.

O que se pode colocar — e as verdadeiras exceções

As listas de proibidos circulam sem nuances. Eis o que as justifica realmente.

  • Carnes, peixes, produtos lácteos — o problema não é a decomposição (ocorre muito bem), mas sim a atração de roedores e os odores. Num composto quente, fechado e bem gerido, é possível; numa pilha aberta no jardim, deve evitar-se.
  • Citrinos — tolerados em pequena quantidade. O verdadeiro problema diz respeito ao vermicomposto, onde a acidez incomoda as minhocas.
  • Plantas doentes — aceitáveis apenas num composto quente verificado (55 °C durante vários dias). Em caso de dúvida, rejeite-as: o míldio e a hérnia da couve sobrevivem num composto morno.
  • Ervas daninhas com sementes — aplica-se a mesma lógica. Num composto frio, voltará a semear as suas ervas no ano seguinte.
  • Madeira tratada, papéis brilhantes, beatas, sacos «biodegradáveis» — não, em caso algum. Os sacos compostáveis industriais exigem temperaturas que um composto doméstico nunca atinge.
  • Cascas de ovo — sem verdadeiro interesse se não forem finamente trituradas: reaparecem intactas vários anos mais tarde.

Reconhecer um composto maduro

Critério Composto maduro Composto imaturo
Aspeto Castanho-escuro, homogéneo, granuloso Heterogéneo, com pedaços identificáveis
Odor Mata, terra para vasos Ácida, amoniacal, de fermentação
Temperatura no interior Ambiente Ainda morna ou quente
Minhocas Presentes e instaladas Ausentes (demasiado quente para eles)

O teste do agrião, mais fiável do que a observação: semeie uma pitada de sementes de agrião numa taça com composto húmido e a mesma quantidade em terra para vasos de controlo. Se a germinação e o crescimento forem comparáveis, o composto está maduro. Se forem nitidamente inferiores, ainda contém componentes fitotóxicos.

Um composto imaturo aplicado em plantas jovens provoca uma fome de azoto: os microrganismos que continuam o seu trabalho mobilizam o azoto do solo em seu benefício, e as culturas ficam amareladas. O fenómeno é temporário, mas pode custar uma estação.

Usar o composto no momento certo

  • Outono — o período principal. Espalhe uma camada de 2 a 5 cm à superfície, sem incorporar, e cubra depois com cobertura morta. A fauna do solo incorpora-a por si própria durante o inverno.
  • Primavera — antes da plantação de culturas exigentes (tomateiros, abóboras, couves), no fundo da cova ou incorporado superficialmente com um ancinho.
  • Durante a época de cultivo — como cobertura ligeira à volta das plantas, utilizando apenas composto maduro.

Não o enterre profundamente. O composto é um produto aeróbio: enterrado a 20 cm, fica numa zona pobre em oxigénio, onde a sua decomposição abranda e se deteriora. O seu lugar é à superfície ou nos primeiros cinco centímetros, onde vive a microfauna que o vai utilizar.

Um composto maduro não é, aliás, um adubo: é um corretivo. Fornece poucos nutrientes imediatamente disponíveis, mas melhora de forma duradoura a estrutura e alimenta a vida do solo — consulte Os diferentes tipos de solo.

Perguntas frequentes

Quanto tempo é necessário para obter composto?

De 3 a 4 meses para um composto quente revolvido regularmente, até 18 meses para uma pilha fria que nunca é revolvida. A diferença deve-se quase inteiramente ao volume inicial e à frequência com que é revolvida.

O meu composto nunca aquece, é grave?

Não, fará composto na mesma. Perde simplesmente o efeito desinfetante: por isso, não coloque plantas doentes nem infestantes com sementes.

É necessário um ativador de composto?

Desnecessário na esmagadora maioria dos casos. O que os ativadores vendem — azoto e microrganismos — já é fornecido gratuitamente por um punhado de urtigas frescas, aparas de relva ou simplesmente uma pá de composto maduro do ciclo anterior.

É possível fazer compostagem no inverno?

Sim, mas a atividade abranda bastante abaixo dos 10 °C. Continue a alimentar a pilha; ela recomeçará na primavera. Uma pilha volumosa e bem isolada por uma camada de folhas conserva, aliás, uma temperatura interna surpreendentemente estável.

Composto ou estrume?

O estrume fresco é demasiado rico e demasiado «quente» para uma utilização direta: deve ser compostado durante pelo menos seis meses. Um composto caseiro bem preparado é mais equilibrado e não apresenta o risco de resíduos veterinários.

A reter

Três parâmetros, e nada mais: dois terços de castanho para um terço de verde, a humidade de uma esponja espremida e ar. Perante um composto que não está a funcionar, pergunte simplesmente qual dos três está em falta — a resposta está sempre aí.

Para saber mais

Para complementar o trabalho do composto: as nossas sementes de adubos verdes, que alimentam e estruturam o solo entre duas culturas.

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